segunda-feira, 5 de abril de 2010

Crédito fácil leva jovens ao descontrole financeiro

Ao ingressar na faculdade, a maioria dos jovens não têm emprego e nem renda comprovada. Mas para abrir uma conta universitária não é preciso ter crédito na praça. Bancos brasileiros apostam cada vez mais no segmento de contas universitárias, que atraem os estudantes com tarifas baixas e limites de crédito razoáveis, mas que podem levar o jovem à crise financeira.

O índice de inadimplência é tão alto que algumas gerências de estabelecimentos comerciais não aceitam pagamentos em cheques de contas universitárias. O descontrole também levou algumas agências da Caixa Econômica Federal a não liberar talão de cheques para estes clientes.
Fernanda Silva*, estudante de enfermagem do Unieuro, abriu uma conta universitária com o intuito de financiar suas necessidades acadêmicas, mas acabou se prejudicando. Emprestou ao irmão cerca de 10 cheques somados em R$10 mil para reforma da casa, e sua conta ficou no vermelho. “Hoje em dia não uso mais a conta, meu irmão não pagou e eu também não pude” afirma a estudante.


Mailson da Nóbrega: prestações não devem ultrapassar 30% dos rendimentos. Foto cedida do arquivo pessoal do economista

O economista Mailson da Nóbrega, sugere que os gastos não ultrapassem o limite que o jovem pode pagar. “As prestações mensais não devem ultrapassar 30% dos rendimentos líquidos. O banco nem sempre avalia essa capacidade, pois opera com métodos estatísticos que lhes dizem qual o risco médio da carteira de clientes de determinada categoria. Por isso, o tomador de crédito precisa ser mais cuidadoso na assunção dos compromissos. Prudência é a melhor conselheira”, alerta o especialista.

SPC

De acordo com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), o número de inadimplentes aumentou 5,33% em fevereiro 2010, em relação à janeiro do mesmo ano. 54,5% das pessoas registradas no SPC Brasil foi mulheres. A oferta de crédito aos estudantes por parte não só dos bancos, mas também de lojas de departamento, é apontada como uma das principais causas dessa estatística.

A responsabilidade dos bancos

Os bancos também contribuem para os problemas financeiros dos estudantes neste caso. De acordo com pesquisa feita pelo IDEC (Instituto de Defesa do Consumidor), as práticas irregulares adotadas pelos bancos brasileiros somam em oito. Dentre as quais:

1. Falta de contrato de abertura de conta;
2. Ausência do termo de adesão com detalhamento dos serviços que serão oferecidos (o consumidor fica sem saber quais os serviços que ele tem direito e quantidades de operações inclusas no pacote);
3. Informações sobre condições para concessão de crédito e custo efetivo total;
4.Cobrança de tarifas indevidas;
5.Comprovante de liquidação;
6. Abuso de publicidade de crédito nos terminais;
7. A não divulgação de central de atendimento telefônico para reclamações ou dúvidas;
8. Envio de produto não solicitado (cartão de crédito, seguros).

O que se deve fazer


Se o estudante observar alguma cobrança irregular no seu extrato deve entrar em contato com o SAC do banco e solicitar o esclarecimento e estorno se for identificada uma cobrança indevida. Para se proteger é aconselhável registrar as ocorrências no canal do SAC (0800) e se o resultado não for satisfatório, deve procurar a Ouvidoria do banco. Não tendo o problema solucionado encaminhar a reclamação ao Banco Central.

* Nome fictício, pois a estudante não quis se identificar.

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